terça-feira, 6 de janeiro de 2015

O Vale dos Mortos + Elevador 16

Primeiro post do ano e não poderíamos deixar de falar de zumbis! <3 E temos dobradinha de Rodrigo de Oliveira, com o livro O Vale dos Mortos e o conto Elevador 16. Pegue sua shotgun e let's go!
O Vale dos Mortos trata de um apocalipse zumbi, ambientado no Brasil, em um futuro próximo. Porém, somos apresentados à situações que estão ocorrendo em outros lugares do mundo, principalmente com os políticos dos grandes países mundiais. Neste mundo apocalíptico, uma família luta pela segurança de seus integrantes contra os zumbis, a fome e a sede. A família encontra outros sobreviventes e acabam recuperando um lugar para que vivam mais tranquilamente.

A premissa é um pouco clichê, mas a forma como o apocalipse começou é que é o diferencial do livro. Não temos vírus, não temos nenhuma doença causadora. Tudo acontece devido a um fenômeno astrológico. Mas este diferencial acabou se tornando um problema para a história contada, pois não há uma explicação do porque as pessoas se tornam zumbis quando são mordidas. Se não é um vírus, como as vítimas dos ataques acabam se tornando zumbis? Fica a dúvida para ser explicada em outro momento da série As Crônicas dos Mortos.
Do início ao fim temos vários fatores bacanas e ruins. O início do livro tem um bom ritmo, nos inserindo no meio de um apocalipse mesmo, sem entendermos algumas coisas, quando todos estão apavorados e fugindo como loucos. Conhecemos os personagens principais e a preocupação de uns com os outros. Nesta parte do livro há momentos bem interessantes sobre a fuga da família e a origem dos zumbis.
O meio do livro é um pouco arrastado. A parte que eu menos gostei. As cenas criadas são cheias de ação um tanto desnecessárias, com pouco desenvolvimento dos personagens secundários.
Já o final é um pouco melhor, retornando o ritmo do início, inserindo outros personagens, suspense e mistério. Confesso que já esperava que esses mistérios fossem abordados, lembrando um pouco outras histórias com temática zumbi, mas foi bacana a forma como o autor desenvolveu sua história.
Algumas cenas de ação descritas são bem interessantes e nos deixam aflitos. Há momentos que sentimos tensão com o que os personagens estão passando. Em contrapartida, há momentos que não estamos nem aí para o que vai acontecer. Ao abordar cenas mais emotivas, o autor não consegue transmitir bem esses sentimentos, exagerando em certos pontos da trama. Talvez, pelo fato de ser uma história contada em terceira pessoa, sem poder aprofundar os sentimentos dos personagens, mas que deixou o livro carente de dramaticidade.
Um fato que chamou a minha atenção é que a trama é um tanto heroica, com acontecimentos muito calculados e estratégicos. O papel de Ivan é enfatizado como um soldado especializado nesse tipo de situação, enquanto o papel de Estela é mais emocional e intelectual. Ambos são espertos demais, pensam demais e fazem as coisas acontecerem, ponto que me incomodou, pois eles conseguem tudo o que querem. Não temos um personagem mais humano com que possamos nos identificar, e a relação dos personagens com o leitor acaba sendo prejudicada.
A evolução de personagens foi o maior problema, pois acabaram não ganhando um tratamento adequado e o desenvolvimento se torna lento e não aproveitado. Ivan é o protagonista da história, porém não é um personagem tão carismático e, também, com pouco pra se mostrar em relação ao seu desenvolvimento. Ele é, praticamente, um personagem que não tem base para ser desenvolvido, pois o cara já é o espírito final de seu personagem desde o início do livro. Estela é a que mais se destaca nesse quesito. É uma personagem que tem um desenvolvimento bacana, com uma evolução visível, mas, quando ela ganha potencial para melhorar, acaba se tornando uma cópia de Ivan. Estaria o autor preparando-os para algo maior, mas que acabou não acontecendo nesse livro? Outra dúvida que, provavelmente, será explicada em uma de suas sequências. Esperamos.
Há outros fatores que ficaram incoerentes também, como uma pessoa voltar a falar normalmente depois de 3 ou 4 dias, quando teve a mandíbula quebrada e seu rosto praticamente todo deformado. Aliás, encontramos várias cenas um pouco difíceis de imaginar realmente. São coisas que temos de deixar pra lá.
Porém há uma coisa que não podemos deixar passar: erros gramaticais. A minha edição é recheada de erros e chegou a um nível que quase desisti de ler por conta disto, mas me mantive firme e continuei. É engraçado que um produto chegue cheio de erros para o usuário final, principalmente se é feito uma edição antes do produto ser comercializado. Mas enfim...
O final do livro deixou um bom gancho para uma continuação, que tem tudo para ser um livro muito melhor e, consequentemente, superior a O Vale dos Mortos, desde que resolva alguns dos problemas existentes. Vamos torcer!

Não contente com a leitura do livro acima, procurei outras coisas do autor, e encontrei um conto bacana sobre o mesmo tema, ambientado no mesmo mundo de O Vale dos Mortos.

Elevador 16 conta a história de um grupo de pessoas que acaba presa dentro de um elevador enquanto um fenômeno astrológico acontece, causando falta de luz e o aparente desmaio de algumas pessoas. Porém, quando saem do elevador, acabam descobrindo que o prédio está infestado de zumbis.

Essa história acabou se tornando um ótimo conto. Aqui, o autor consegue criar uma atmosfera mais claustrofóbica, tensa e assustadora que em seu livro. Em sua maioria, pelo bom aproveitamento da situação em si: várias pessoas presas em um elevador enquanto o apocalipse está acontecendo. A melhor cena de todo o conto e do livro também, lembrando que o conto se passa no mesmo momento em que o início do livro acontece.
Achei a ideia sensacional e muito bem aproveitada, contudo, o que tinha de mais interessante acaba ficando no elevador também. O decorrer da história se faz dentro do prédio, com uma que outra cena legal e com algumas confusas. Esse problema de descrição de algumas coisas parece ser uma característica do autor. Ou eu que não consigo entender bem o que está sendo contado.

Eu ganhei o livro em uma promoção num site especializado em Resident Evil. O conto, adquiri gratuitamente na Saraiva Reader. Ambos são em formato e-book. O livro acabou com um empate de coisas boas e ruins, e acho que vale a leitura pelo fato de ser escrito por um brasileiro, ter algumas cenas bem bacanas, cheias de ação, e por ser ambientado no Brasil. Não é um livro de terror, e sim de ação e estratégia. Achei o livro razoável. Já o conto foi mais divertido de ler, com uma cena muito legal dentro de um elevador.
Acredito que a sequência do livro possa ser melhor e estou disposto a lê-lo, mas ainda não a tenho. As perguntas que ficaram são os motivos que me deixaram com vontade de terminar de ler a série e espero que sejam resolvidas. Não tenho conhecimento de quantos livros a série As Crônicas dos Mortos é formada, mas acho que deva ser uma trilogia.

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